Urbis

Urbis: llamado a artículos V10N1-2020 (enero-junio), hasta 31-marzo-2020

Ciudad, naturaleza y ambiente

Por Dr. Etienne Helmer (Universidad de Puerto Rico, Estados Unidos) y Dra. Paula Cristina Pereira (Universidad de Porto, Portugal)

Parece que al volverse urbano, el ser humano pone la naturaleza a distancia. No solo la extensión del territorio de las ciudades descansa en la conquista física de espacios como el campo, el bosque, a veces las montañas, los ríos y hasta el mar - ¿el espacio en algún futuro?  - sino que también la condición urbanística implica el rechazo simbólico de la naturaleza asociada con el mundo salvaje o primitivo. Tal visión se basa en concepciones filosóficas tan antiguas como la de Aristóteles, según quien el ser humano llega a su plenitud solo en la polis o ciudad. Dicha ciudad consiste en una estructura administrativa, infraestructuras materiales y normas éticas que implican el alejarse de la “bestia salvaje” incapaz de volverse un animal urbano.

Sin embargo, la creciente aunque desigual preocupación de muchos países por los asuntos ambientales en la época de las megalópolis obliga a mirar desde otras perspectivas la relación entre ciudad y naturaleza. Parece que, de enemiga, la naturaleza - aunque todavía tenga sus aspectos peligrosos incontrolables - se está volviendo una amiga para proteger, cuando los efectos de los desastres que provoca parecen ser imputables a la desmedida de las actividades humanas, y cuando están amenazados los recursos indispensables que la naturaleza solía proveer para que las ciudades pudieran sustentarse y prosperar. En otras palabras, es más bien cierta forma de urbanismo la que se ha convertido en sinónimo de condición salvaje.

¿Cómo se piensa la relación entre ciudad y naturaleza en distintas épocas y distintos lugares?  ¿Cómo, o bajo qué formas, se manifiesta esta relación en espacios específicos de las ciudades? ¿Cómo pensar ciudades preocupadas por el ambiente en la época de la extensión urbanística sin límite?, y ¿Qué significa “natural” en esta misma época? El presente llamado a artículos invita contribuciones a examinar estas interrogantes, desde la perspectiva del urbanismo, de las ciencias sociales, de la antropología y de la filosofía. Está abierto a propuestas que cuestionen sobre la experiencia y las significaciones de la relación entre las ciudades, la naturaleza y el ambiente. 

Cidade, Natureza e Ambiente

Dr. Etienne Helmer (Universidad de Puerto Rico, Estados Unidos) y Dra. Paula Cristina Pereira (Universidad de Porto, Portugal)

 Ao tornar-se urbano, o ser humano parece colocar a natureza à distância. Com efeito, não apenas a extensão do território das cidades repousa na conquista física de espaços como o campo, a floresta, por vezes as montanhas, os rios e até o mar – o espaço num futuro próximo? – mas a condição urbana pode implicar também a rejeição simbólica da natureza associada ao mundo selvagem ou primitivo. Tal visão advém de conceções filosóficas tão antigas quanto a de Aristóteles, segundo a qual o ser humano atinge a sua plenitude na polis ou cidade. A cidade, nessa perspetiva, é uma estrutura administrativa, uma infraestrutura material e um conjunto de normas éticas que excluem a “besta selvagem” entendida com um ser incapaz de tornar-se um animal urbano.

No entanto, a crescente, ainda que desigual, preocupação de muitos países com as questões ambientais na época de megalópoles, obriga a equacionar a relação entre cidade e natureza sob outras perspetivas. Parece que, de inimiga, a natureza - ainda que não possa ser esquecida nas suas dimensões mais incontroláveis - está a transformar-se numa amiga a proteger, sobretudo quando os efeitos dos desastres que provoca parecem ser imputáveis ao excesso das atividades humanas e quando estão ameaçados os recursos essenciais que a natureza costumava fornecer para que as cidades pudessem subsistir e prosperar. Por outras palavras, uma certa forma de urbanismo converteu-se em sinónimo de condição selvagem.

Como se pensa a relação entre cidade e natureza nas diferentes épocas e lugares? Como, ou sob que formas, essa relação se manifesta nos espaços específicos da cidade? Como pensar as cidades preocupadas com o meio ambiente na época da extensão urbana sem limites? E o que significa "natural" nesta mesma época? A presente chamada de artigos está aberta a contribuições que possam analisar e problematizar as questões enunciadas, a partir de diferentes perspetivas: da filosofia, do planeamento urbano, da antropologia e das ciências sociais. E ainda a propostas que questionem a experiência e o significado da relação entre cidades, natureza e meio ambiente.