Psique

Psique: llamado a artículos V9N2-2019 (julio-diciembre), hasta 8-octubre-2019

El sistema punitivo actual y su impacto en el individuo

Por Dra. Miriam Pardo-Fariña (Universidad Andrés Bello, Chile) y PhD. Alejandra Ojeda-Sampson (Universidad Latina de México, México)

La sociedad actual se caracteriza por ser punitiva. Esto es, que piensa y por lo tanto actúa, priorizando programas de castigo ante violaciones a las leyes sociales, en lugar de enfocarse en programas de prevención o incluso, en transformaciones sociales. Ya en su momento Foucault, en la obra de Vigilar y Castigar, ponía el acento en cómo el sistema penal, producto de mecanismos sociales y teóricos, castigaba con cárcel o muerte al sujeto que cometía el delito, pero con mensaje de castigo a los demás sujetos que lo observaban. Si bien la obra fue escrita en 1975, la actualidad de su discurso es sorprendente. Hoy día se sigue actuando como si el problema fuera específicamente del individuo, restando importancia al sistema al que pertenece. Es decir, se sigue castigando o señalando el delito como si se tratara de un hecho aislado del contexto socio-económico de la sociedad o como responsabilidad exclusiva del sujeto que cometió la falta. Ante eso, se siguen construyendo y operando lugares, si bien ya no llamados cárceles, sino centros de readaptación social, denominación que puede cambiar según el país de origen, pero con la misma base conceptual: readaptar al individuo criminal a su sociedad, como si ésta no fuera parte del problema del infractor. En la práctica, se sigue observando al individuo como único responsable de su actuar y no producto de las condiciones sociales en las que se encuentra inserto. Aunado a esto, existe un discurso dominante que muestra al delito clasista y racista, pareciendo señalar de antemano a los delincuentes, sean estos culpables o no. Derivado de lo planteado surgen múltiples preguntas e inquietudes investigativas que invitan a reflexionar. Algunas de éstas son: ¿Cómo impacta en el individuo saberse alejado de su entorno? ¿Existen diferencias de apreciación entre mujeres y hombres al saberse recluidos? Si es así, ¿en qué consisten? ¿Cómo aborda el psicoanálisis la concepción de delito? ¿Qué postura psicológica subyace a este planteamiento punitivo? ¿Puede la psicología abordar otra forma de control social? ¿Qué implicaciones tiene en la psique el encerramiento? Éstas son algunas de las interrogantes del problema mostrado, esperando surjan muchas más reflexiones.

The current punitive system and its impact on the individual

Dra. Miriam Pardo-Fariña (Universidad Andrés Bello, Chile) y PhD. Alejandra Ojeda-Sampson (Universidad Latina de México, México)

The current society is characterized by being punitive. That is, it thinks and thus acts prioritizing punishment programs when social norms are violated, instead of focusing on prevention programs or, even, on social transformations. At that time Focault, in his work Discipline and Punish, put the emphasis on how the penal system, product of theoretical and social mechanisms, punished with jail or death the individual who committed the crime, but with a punishment message to all other persons who observed it. Though the book was written in 1975, the actuality of its discourse is surprising. Nowadays we still act as if the problem were specifically of the individual, playing down the importance of the system to which it belongs. That is, society keeps punishing or pointing out the crime as it were an event isolated from the social context, or as the sole responsibility of the person who committed the offense. To that, places are being built or operated, not longer called prisons, but centers for social readaptation, name that may change according to the country of origin, but with the same conceptual basis: to readapt the criminal individual to its society, as if this were not part of the problem of the offender. In practice, the individual is still considered as the sole responsible of its acting, and not the product of the social conditions in which it is inserted. In addition, there exists a dominant discourse which shows the crime as classist and racist, seemingly pointing beforehand to the criminals, regardless of whether they are culpable or not. From this exposition multiple questions and investigative concerns emerge, which invite to reflection. Some of these are: How does knowing to be cut off from its environment affect the individual? Are there differences in perception between men and women finding themselves imprisoned? If yes, what are they? How does psychoanalysis address the conception of crime? What psychological stance underlies the punitive approach? Can psychology address some other form or social control? What implications has imprisonment on the psyche? These are some of the questions about the problem discussed, hoping that many more reflections will arise.

O atual sistema punitivo e seu impacto sobre o individuo

Dra. Miriam Pardo-Fariña (Universidad Andrés Bello, Chile) y PhD. Alejandra Ojeda-Sampson (Universidad Latina de México, México)

A sociedade atual é caracterizada por ser punitiva. Ou seja, que pensa e, portanto, atua, priorizando programas de punição contra violações de leis sociais, ao invés de se concentrar em programas de prevenção ou mesmo transformações sociais. No seu momento, Foucault, na obra de Vigiar e Punir, colocou a ênfase em como o sistema de justiça criminal, produto de mecanismos sociais e teóricos, castigava com prisão ou a morte ao sujeito que cometeu o crime, e com uma mensagem de punição para os outros sujeitos que o observavam. Embora o trabalho tenha sido escrito em 1975, a notícia de seu discurso é surpreendente. Hoje continuamos a agir como se o problema fosse específico do indivíduo, minimizando o sistema ao qual ele pertence. Ou seja, ele continua a punir ou apontando o delito como se fosse um evento isolado do contexto sócio-econômico da sociedade ou como exclusiva responsabilidade do indivíduo que cometeu a falta. Ante esta situação continuam sendo construídos lugares, embora não chamado prisões, mas centros de reabilitação social, um nome que pode mudar, dependendo do país de origem, mas com a mesma base conceitual: readaptar o indivíduo criminoso à sociedade, como se isso não formaria parte do problema do agressor. Na prática, o indivíduo ainda é observado como o único responsável por suas ações e não como resultado das condições sociais em que está inserido. Além disto, há um discurso dominante mostrando o crime classista e racista, parecendo apontar aos delinquentes, sejam culpados ou não. Derivado do que foi levantado, surgem muitas questões de pesquisa que convidam à reflexão. Algumas delas são: Como isso afeta o indivíduo quando ele se percebe afastado do seu entorno? Há diferenças de percepção entre mulheres e homens quando eles sabem que estão sendo isolados? Se sim, quais são eles? Como a psicanálise lida com o conceito de crime? Qual posição psicológica está subjacente a essa abordagem punitiva? A psicologia pode abordar outra forma de controle social? Que implicações o isolamento tem na psique? Estas são algumas das questões do problema, esperando que surjam muitas outras reflexões.